Na fila, PPS aguarda a vez para ser “extirpado da política”

Segunda-feira 25, abril 2011

Apesar de estar passando por um processo de depuração em seus diretórios regionais com número elevado de expulsões, o PPS não admite perder políticos com mandato para o PSD. Três deputados federais do partido compareceram ao ato de formalização da legenda liderada pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, em Brasília, na semana passada.
A direção nacional do PPS já protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) questionando dispositivo que flexibiliza a fidelidade partidária para políticos que participem da fundação de nova legenda. O presidente do PPS, deputado federal Roberto Freire (SP), avisa agora que vai requerer o mandato de qualquer parlamentar que tente migrar para o PSD, mesmo antes do STF se manifestar.
“Se entrar algum pedido de desfiliação do partido antes do julgamento da nossa ação no STF, vamos entrar no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) requerendo os mandatos”, afirmou Roberto Freire.
Ainda de acordo com o presidente do PPS, o flerte de alguns de seus deputados com o PSD não interrompeu o processo de depuração interna do partido. Semana passada, foi a vez do diretório regional do Mato Grosso do Sul expulsar 22 filiados – entre vereadores e um prefeito.
Punição
Processos disciplinares para expulsão de filiados considerados infiéis estão ocorrendo em São Paulo, Minas, Pernambuco, Paraíba, Ceará, Bahia e Rio Grande do Sul. Os dirigentes do PPS nesses estados explicaram que estão seguindo determinação da direção nacional. Em princípio, as punições se limitam aos que não colaboraram com candidatos partido nas últimas eleições.
Em São Paulo, mais de 60 diretórios municipais foram dissolvidos desde outubro. Pernambuco já expulsou 12 filiados nos últimos três meses, mas esse número pode passar de 40 – segundo o presidente do diretório regional e ex-deputado federal Raul Jungmann. No início do mês, foi a vez do diretório regional no Paraná anunciar a expulsão de 37 filiados ? sendo dois prefeitos, quatro vices e 31 vereadores.
“Não aceitamos traidores. Judas é que vá para outro lugar. A gente não vai ficar contemporizando. O movimento aqui é de manter as diretrizes da fidelidade partidária”, disse Jungmann. Entre os que já foram expulsos, há um prefeito e nove vereadores. “Temos mais 35 processos na Comissão de Ética. Desses, pelo menos 30 deverão ser expulsos na nossa próxima reunião”.
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