Empresários aglomeram-se em pé por uma hora para ouvir Lula

Sexta-feira 6, maio 2011

 

“Eu nunca votei no Lula e nunca votarei. Mas vim por causa dele.” Essa era a afirmação mais repetida na noite de quarta-feira em dezenas de rodinhas formadas por empresários, banqueiros, executivos e advogados que lotaram o amplo salão da Casa Fasano, templo de festejos luxuosos da elite paulistana.

Pouco mais de 450 pessoas se espalharam pelo espaço de pé direito altíssimo e paredes de intrigante transparência, que deixam ver os aviões que cruzam o céu. O Bank of America Merrill Lynch, um dos maiores bancos dos Estados Unidos, era o anfitrião da noite e comemorava a autorização do Banco Central do Brasil para que a instituição passe a operar como banco múltiplo, ampliando sua atuação no país.

Alexandre Bettamio, presidente do BofA no Brasil, provavelmente também não votou em Lula em 2002 ou 2006. Mas elegeu o ex-presidente para ancorar o mais importante evento já realizado pela instituição no país apostando que seria um grande chamariz. A escolha foi certeira.

O ex-presidente  falou por mais de uma hora. Parte da plateia nunca havia tido a oportunidade de estar tête-à- tête com o ex-presidente. Outros queriam vê-lo falar de novo e esperavam “se divertir” com o discurso bem humorado. Pouco depois das 20 horas o salão já estava cheio e, por volta das 21h30, quando Lula começou a falar, o público se aglomerou ao seu redor, abrindo um clarão ao fundo. Aguentaram firme, em pé, por mais de uma hora.

Na “primeira fila”, dois ex-ministros de Lula: Luiz Fernando Furlan, que ocupou a Pasta do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; e o ex-presidente do BC, Henrique Meirelles. Logo a seu lado, o atual presidente da Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, Ricardo Flores. Sentada à uma discreta mesinha ao lado direito do pequeno palco montado, dona Marisa assistiu ao discurso de Lula.

Ao introduzir Lula à plateia, o presidente de mercados globais do Bank of America, Tom Montag, referiu-se a ele como “o político mais popular da Terra”. O “gancho” para a presença de Lula em um evento do banco americano foi o enorme desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro durante seu governo. O BofA foi um dos bancos que lideraram a gigantesca capitalização da Petrobras no segundo semestre do ano passado.

Lula fez uma palestra sobre  temas como a explosão do crédito consignado e o desenvolvimento do mercado de capitais. Munido de um discurso oficial de cinco páginas, Lula fez a alegria dos presentes ao abusar de seus famosos improvisos. “He speaks very well”, dizia um executivo brasileiro a outro, estrangeiro, no meio do salão.

Arrancou gargalhadas sinceras e mesmo aplausos, em diversos momentos, ao debochar do que seria o estereótipo da forma de pensar da elite brasileira. “Tem gente que fala: esse Lula colocou os pobres no lugar que só nós viajávamos”, afirmou, por exemplo, ao referir-se ao fato de “os pobres” estarem viajando de avião. Mais tarde, disse que muita gente começa a falar inglês antes mesmo de sair do aeroporto, só para mostrar que sabe.

Lula deixou a plateia silenciosa ao falar do Programa Luz para Todos e descrever que “quando chega a luz elétrica na casa de uma pessoa é como se você, num passe de mágica, pegasse uma pessoa do século 18 e trouxesse para o século 21. É como se fosse a máquina do tempo.”

Lula queria provar, caso alguém ali ainda tivesse dúvida, que a política de seu governo fez bem ao empresariado. Já perto das 22h30 Lula arrematou: “Eu sei que tem gente que tem preconceito contra mim. Mas eu desafiaria qualquer um de vocês: eu duvido que algum empresário já ganhou mais dinheiro nesse país do que no meu mandato. Duvido que os bancos já tiveram mais lucro nesse país do que no meu mandato.”

“Pode pegar qualquer empresa, pode pegar a empresa do Furlan.” A Sadia, empresa antes controlada pela família do ex-ministro Furlan, como bem sabem todos os presentes, praticamente quebrou em 2008. Não por conta de políticas econômicas, é verdade, mas por problemas de gestão.

“Ele é muito bom”, “ele é muito inteligente”, “agora dá para entender [a sua popularidade]“, saíram falando aqueles que nunca votariam nele. Informações do Valor Ecônomico

 

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12 Comentários

  1. MA_Jorge /

    Sobre este mesmo assunto, o post do Deputado Brizola em seu blog termina com um parágrafo que sintetiza como as ações do Lula foram implantadas, realmente, no Brasil – o povo.

  2. cleusa /

    Mito obrigada por postar notícia do Lula. Ele faz muita falta.

  3. Orlando Boenetti Jr /

    Antes de mais nada, parabens e obrigado por este sítio, que vem a calhar nestes tempos em que precisamos da verdade nas notícias. Como não poderia ser diferente, Lula é de uma simplicidade impar e além de preconceituosos estes impresários, muitos tem inveja pelo seu êxito.
    Sua carreira política, é um exemplo de perseverança.

  4. Sonia /

    Esse nunca dantes!!!

  5. P. Silveira /

    O nome do Blog é perfeito e o eterno Presidente também.
    O Amigo do Brasil!

  6. Yacov /

    OLha, por tudo que fez em benefício do país e seu povo, o LULA deveria ser é canonizado. SÃO LULA!!!! Nosso eterno presidente. Diparado, o melhor presidente de todos os tempos. Ainda vou vê-lo recebendo o Nobel da Paz.

    “O BRASIL PARA TODOS não passa na glObo – O que passa na glOBo é um braZil para TOLOS”

  7. Renato Lira /

    É por isso que nosso Lula é o político mais popular da terra.

    E agora doutor.

    Doutor Lula.

    Doutor em política, doutor em povo, doutor em competência, doutor em dignidade.

  8. Herminio /

    Quero dar os parabéns e desejar força e garra com o novo espaço e sobre o presidente Lula, dezer que ele foi e continuará sendo muito importante para o Brasil e seu povo.

  9. rinaldo xavier /

    alguem duvida do valor de um homem cuja a nobresa e o carater esta acima de qualquer preconceito este homem chama-se LULA

  10. Helena

    Eu andei fazendo as contas, pelo que parece o Lula já entrou na casa do milhão com essa quantidade de palestras.
    Pelo andar da carroagem o cachê do Lula vai chegar a 1 milhão por palestra antes do final do ano, sendo assim, antes muito antes dos 75 anos, Lula será um bilionário.
    Se tem um homem que merece tal façanha esse homem é o Lula.
    Ganhar mais que Gisele Bündchen ou qualquer modelo sem precisar trocar de roupa ou vender a alma não é para qualquer um.
    O dinheiro não é o mais importante, o importante é saber que todo mundo quer ouvir o que esse nordestino, brasileiro, sul-americano, latino-americano tem a dizer, tem a ensinar. Nesses momentos bicudos onde o sul virou norte cada palavra do Lulinha vale ouro.

  11. Dizer o que ? ele é o Cara.

  12. Deve ter sido a única matéria positiva até agora a respeito das palestras de Lula. Na velha mídia só preconceito.Não conseguem criticar sem antes deixarem claro o quanto lhes falta de isenção. Louvo, portanto, a matéria. Mas preciso fazer um reparo a uma política do governo Lula remasterizada na matéria. O crédito consignado. Pode ser uma solução em momentos de muita necessidade, mas apenas para incentivo o comércio, é uma péssima idéia. Alguém que já consignou um empréstimo pessoal deve saber muito bem que é um crédito muitíssimo bom… para o banco. E tem razão o Lula, no final, dizer que os bancos tiveram muito lucro. Faço isso todos os dias, há muito tempo. Sei do que estou falando. Tudo começou com o BMG, que começou o crédito consignado no governo Lula, oferecido aos velhinhos aposentados, mas é também o banco do Mensalão mineiro e petista. Sempre votei e continuaria votando no Lula, mas incentivar empréstimo bancário é uma tremenda sacanagem com o consignado.

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