Conserto pouco vantajoso

Domingo 8, maio 2011

Está mais barato adquirir um eletrodoméstico novo do que usar o serviço de reparo disparada dos preços dos serviços nos últimos meses provocou uma forte distorção entre o custo do reparo e da compra de um produto novo. Hoje é mais barato adquirir um eletrodoméstico zero quilômetro do que consertá-lo. No caso de roupas, o preço de um ajuste é quase o valor da peça. Nos itens de alta tecnologia, como o iPod, o cenário é mais radical: o próprio fabricante recomenda a compra do produto no lugar do conserto.

Dados do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe mostram que, nos últimos 12 meses, o IPC subiu 6,39%, enquanto os preços dos serviços livres, aqueles que variam de acordo com a demanda e a oferta, aumentaram 7,41%. Isso significa que os preços dos serviços subiram um ponto percentual acima do IPC geral e quase dois pontos percentuais acima da variação de preços dos produtos com preços livres (5,24%) registrada no mesmo período.

Quando se leva em conta a medida oficial de inflação, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE, a escalada do preço dos serviços em relação ao dos produtos fica ainda mais nítida. Nos últimos 12 meses, o IPCA subiu 6,51% e os preços dos serviços aumentaram 8,57%, uma diferença de mais de dois pontos percentuais.

BENS DURÁVEIS

Comparada com a variação de preços dos bens duráveis, isto é, os produtos de maior valor, como eletrodomésticos e eletrônicos, por exemplo, a diferença é ainda maior, de quase 9 pontos percentuais. É que os preços dos duráveis tiveram deflação de 0,26% no período. IPC

“Sei que essa mudança de preços relativos provoca muita raiva no consumidor quando ele precisa pagar caro pelo conserto. Mas isso é ser desenvolvido”, diz o coordenador do IPC da Fipe, Antonio Comune. Ele lembra que nos Estados Unidos, por exemplo, como os serviços são muito caros, não vale a pena consertar o eletrodoméstico e é mais interessante comprar outro novo.

Em dez anos, o custo do conserto de equipamentos domésticos teve um acréscimo de 121,59%, enquanto o preço do forno de micro-ondas, por exemplo, teve deflação de 16,29%. Segundo Comune, essa mudança de preços relativos entre produtos e serviços é um movimento estrutural que já ocorre há algum tempo, mas foi acelerado nos últimos 12 meses em razão da escassez de mão de obra e da valorização do real frente ao dólar.

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1 Comentário

  1. Essa vida curta de eletrodomésticos ou bens de consumo é cuidadosamente planejada. Chama-se obsolescência programada. Há um refluxo contra isso, um dos mentores, Serge Latouche, professor emérito de economia, da Universidade de Paris. O mundo não suporte esse ritmo de descarte, produzimos muito mais lixo do que podemos armazenar. Um vídeo de uma hora explica, em detalhes, a trama que deixa o consumidor refém: http://www.youtube.com/watch?v=QosF0b0i2f0

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