Dilma fez um gol na banda larga:Em seis meses de governo,uma negociação com as teles levará a internet ao andar de baixo

Quarta-feira 29, junho 2011

 

O GOVERNO DESATOU o nó da expansão do acesso à internet de banda larga em todos os municípios brasileiros. No anedotário de Brasília, essa iniciativa era conhecida como “Xodó 2.0” de Dilma Rousseff. É boa notícia para ninguém botar defeito. Depois de uma negociação com as operadoras, chegou-se a um acordo pelo qual até 2014 todas as cidades brasileiras terão conexões rápidas. Cumprida a meta, será uma das joias da coroa do atual governo. O serviço, com 1 megabyte de velocidade, custará R$ 35 por mês, ou R$ 29, caso os governos estaduais abram mão da cobrança do ICMS.

A internet brasileira vive num estado de apagão geográfico, social e econômico. De cada quatro municípios, um não tem conexão de cabo. Ela só atende a 27% dos domicílios e, quando o faz, a ligação custa na média R$ 48 por mês, segundo o sindicato das operadoras. Há pelo menos seis anos o governo tentava expandir essa rede, mostrando que ela traça uma linha de exclusão, deixando de fora regiões, bairros e domicílios do andar de baixo.

Embrulhadas na bandeira da infalibilidade do mercado, as operadoras diziam que não havia como investir onde não há retorno. Para resolver esse problema, queriam avançar sobre uma parte dos R$ 9 bilhões entesourados pelo Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações.

Enquanto o governo aceitou passivamente as leis da privataria, o apagão persistiu. Repentinamente, mudou-se a conversa. Se a iniciativa privada não podia fazer o serviço, a Telebrás voltaria ao mercado, fazendo-o. Mais: havia empresas estrangeiras interessadas no negócio. Nesse cenário, as teles ficariam no pior dos mundos, carregando a urucubaca da ineficiência produzida pela ganância. Fez-se um acordo e todo mundo ganha, sobretudo o brasileiro que não tem acesso ao serviço.

Quando o governo faz seu serviço, as coisas acontecem. Em 1995, a Embratel estatal tinha o monopólio do acesso à internet. Havia 30 mil pessoas na fila, e os teletecas prometiam zerá-la no ano seguinte. Era o tempo das estatais que faziam o que bem entendiam. O tucano Sérgio Motta jogou detergente no dilema, liberou o mercado e a rede aconteceu. Passaram-se 11 anos e a situação inverteu-se: as concessionárias privadas fazem o que bem entendem, mas, no caso da banda larga, a ação do Estado induziu-as a mudar seus costumes. Ficam na fila os concessionários de energia elétrica e de transportes.

A conexão de R$ 35 não chegará de uma vez e pode-se temer que venha com velocidades inferiores ao megabyte prometido. (Quem quiser mais velocidade continuará pagando caro, mas esse limite dá para o gasto de um usuário médio.) O que parece ser um problema será uma solução, pois a patuleia ganhará o direito de cobrar. Se a rede não chegar a um bairro ou a um município, o governo ficará na posição de ter feito propaganda enganosa. Se chegar, mas for lenta, a operadora terá que se explicar.

O mais importante está feito: pelas regras do jogo, o brasileiro terá acesso à banda larga, sem estar amaldiçoado por ter pouca renda ou por viver numa localidade pobre. Hoje há 14 milhões de pontos de banda larga no país. Se eles chegarem a 20 milhões, o Brasil encostará nos números franceses de 2009.-Por, Elio Gaspari

 

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20 Comentários

  1. lia vinhas /

    Se abrem mão dos impostos para empresários amigos, num toma lá da cá com o dinheiro público, é justo que o façam pára dar acesso a população a Internet. A não ser que temam que as pessoas fiquem mais infomadas sobre as mazelas dos políticos que elegeram.

  2. maujonev /

    nossa até que enfim uma boa noticia, nada que se equipare a 100 mega do japão, eu tive que brigar por 2 meses com a OI para conseguir uma de 1 mega e a velocidade não é essa.

  3. Para mim não ajuda nada essa expanção para “todos os municípios” se não obrigarem as operadoras expandirem os serviços nos municípios que atuam. Moro em Caxias do Sul, com 400 mil habitantes e várias operadoras mas milhares de moradores não têm acesso a BL. Há anos as empresas sentaram e só recebem. Há anos pedimos BL. Fizemos até lista de moradores com interesse e uma delas “sugere” que continuemos a ligar para “demostrar interesse” para quem sabe(?) termos o benefício. Só pq têm que cabear algumas centenas de metros, elas deixam centenas e centenas de residências sem Internet.

  4. Acho que o valor ainda é alto e a velocidade baixa, Acho que devereiam oferecer banda larga entre 1 e 10MB com preço mínimo de R$15,00 e máximo de R$35,00, logo esta velocidade de 1MB não servirá para muita coisa. As teles ainda estão fazendo o que querem com a população.

  5. Fernando /

    o que eu quero é saber quando o serviço vai estar disponivel…e se a operadora ira fornecer realmente 1 mega…pago 300 kbps e so recebo 100…acho que irão fazer o mesmo com 1 mega…paga-se 35 e recebe somente 10% de 1 mega!!!!

  6. Cara Helena
    Nã havia um projeto do governo federal chamado de Redenet???
    Cuja internet chegaria pelas fiações da rede elétrica?!
    Saudações

  7. Pancho Villa /

    O problema é que a Oi, o exemplo da anti-banda larga, é quem vai oferecer esse serviço…

  8. E as punições, se as metas ou a velocidade prometida não forem cumpridas? O governo fechou acordo incluindo isso? E, se incluiu, é a Anatel, cuja maior preocupação são os consumidores do serviço (é ironia, gente!), que vai fiscalizar e punir?

    • Wanderlei Rocha Filho /

      Punições rsrs para quem?? só ser for para o usuário que vai receber o serviço precário!! Sabe estou começando a me arrepender de votado em Dilma!!

      • Zé Augusto /

        Pra quem está na zona de conforto, com suas conexões privadas funcionando (bem ou mal) pode se dar ao luxo de se dizer arrependido. Mas para a massa do povão que saiu da pobreza, a diferença entre R$ 35 e R$ 70 ou R$ 100 pesa na renda, e o PNBL faz muita diferença: é ter ou não ter internet em casa.

  9. Estou de acordo com Odair. Claro que é melhor ‘algo’ que ‘nada’, mas como informatico posso dizer que 1Mega é absolutamente abaixo dos padroes esigidos pela Internet atual onde ha sites complexos e informaçoes ‘pesadas’ que viajam pela rede. E entao: daqui a poucos anos precisarà outro investimento para elevar a banda. Me parece que alguem esteja aproveitando de alguem.

    • Zé Augusto /

      O PNBL não é o fim da linha, pelo contrário é o começo. Assim como foi o PAC, o Minha Casa, Minha Vida. Todos tiveram uma versão 2. A prioridade zero do PNBL, agora, é levar banda-larga a milhões de domicílios que não tem, pra ontem. Nesse caso vale aquela expressão: o ótimo é inimigo do bom. Porque o ótimo é teórico no presente, e não chega até a casa de quem não tem banda-larga porque valores acima de R$ 30 ou R$ 40 não cabem no orçamento.

  10. “Para chegar ao acordo, o governo desistiu que obrigar as telefônicas a garantir um mínimo de 40% da velocidade contratada e 70% de velocidade média até 2014. Em troca, o Governo se contentou com a promessa do presidente da Anatel, o embaixador Ronaldo Sardemberg, de “acelerar a votação dos regulamentos de qualidade da banda larga”

    Fonte: http://economia.estadao.com.br/noticias/not_73896.htm

    PROMESSA??? PERAÍ!!! PROMESSA??? Ministro, NINGUÉM vive de PROMESSA!!! Se CONTENTOU??? O governo então está na mão delas???

    Eles não costumam entregar NEM 10% da largura de banda contratada, pô!!!

    QUE LOUCURA É ESSA??? Não votei na Dilma pra isso!

    • Zé Augusto /

      Até hoje a elite não entendeu que a prioridade do PNBL é colocar internet na casa de quem não tem pra ontem. E eu votei em Dilma exatamente para isso.
      A melhoria na qualidade e preço para quem já tem internet rápida está sendo planejada em paralelo, com projetos de infraestrura da Telebras que tem um período de maior maturação. O pobre que está sem banda-larga hoje, não pode ficar esperando as conexões da classe média melhorar para ter internet em casa.

  11. No meu comentàrio a observaçao era baseada em um fato puramente tecnico. Acho que a nossa presidenta fez uma otima coisa jà que a finalidade è levar a BL pra quem nao tem. Parabèns Dilma. Eu critico as telefonicas que tem investimentos pouco diferentes para aprontar uma BL de 4MB e uma de 1MB( onde nao tem BL ) mas que tem conveniencia em investir por graus. E alèm disso nao se prestam a garantir uma banda minima.

  12. Tarcísio /

    Próximas negociações do governo:
    Convencer a Globo e outras da necessidade de regulamentar a mídia; convencer os torturadores, Bolsonaro e oposição a revogar a lei da anistia; convencer o Casino e o Carerrefour a exportarem produtos brasileiros (com dinheiro do BNDES); convencer EU, UE, China eRussia a admitirem o Brasil no CS-ONU; convencer o Gilmar Mendes, o STF, o CNJ da necessidade de uma reforma do judiciário.
    Este governo é mesmo incrível! Não precisa nem se mexer, não há necessidade de embate, basta convencer os adversários!

  13. 1 megabyte??? não seria 1 megabit?? Esses petistas retardados não entendem nem de medida de transferência de dados na internet. kkkkkk

  14. ninthwarlike /

    S´queria receber da operadora os 4 mb que pagp e não apenas 10% dele.
    Quando será que o povo deixará de acreditar em coisas que aparentemente
    nos são oferecidas como uma benesse do governo?
    Quero apenas meus direitos respeitados; e a anos não vejo ninguém se mexer
    para mudar isso, ou seja: o povão bobão vai pagar por 1 mb e vai receber apenas 100 kbs, isso é banda larga?????

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