Campanha do PSDB tenta secar feridas de 2008

Domingo 18, março 2012

 

Em 5 de maio de 2008, os tucanos se reuniram na sede do partido para definir o futuro da legenda na eleição paulistana. Para um auditório com mais de 100 militantes, o então presidente municipal do PSDB, José Henrique Reis Lobo, anunciou uma decisão: “O PSDB vai levar à convenção municipal o nome de Geraldo Alckmin como candidato a prefeito de São Paulo”.

A declaração despertou gritos na plateia. “Dá-lhe Geraldo, olê, olê, olê”, comemoravam de um lado. De outro, protestos. “É uma decisão autoritária”, reagia o secretário municipal de Esportes, Walter Feldman que, com o apoio dos vereadores, defendia a manutenção da aliança PSDB-DEM para reeleger Gilberto Kassab, ex-vice de José Serra.

A reunião selou o racha do partido. Alckmin foi o candidato, mas os dois grupos quase se confrontaram, inclusive fisicamente. Só não houve uma batalha na convenção, em junho, porque os caciques orquestraram o recuo dos que defendiam o acordo. Em 2011, a divisão teve novo desdobramento com a saída de seis vereadores do PSDB.

No domingo passado, representantes dos dois grupos se encontraram num hotel perto do ginásio do Ibirapuera. Discutiram com Serra a agenda para a prévia do dia 25, que apontará o candidato do PSDB a prefeito.

Protagonistas do racha de 2008, os aliados de Alckmin e Serra hoje atuam juntos para estruturar a campanha na cidade. Para entrar na corrida, Serra pediu garantias a Alckmin de que contaria com a sua colaboração – ele não queria disputar, mas decidiu após Kassab cogitar dar apoio a Fernando Haddad (PT).

Serra e Alckmin trabalham numa unidade “precária”, segundo um líder tucano: “Há uma relação de desconfiança recíproca, que não se consegue superar. Na eleição, dá-se sempre uma trégua”. Feldman, que quase deixou o partido, discorda. “Com a vinda de Serra, voltamos a ser um time só.”

Mas ainda há constrangimentos. Embora o comando partidário esteja unido no momento, os tucanos detectam mágoa em parte da militância, que não perdoa os serristas pelo apoio a Kassab. Aliados de Alckmin reclamam de ter de lidar com vereadores e militantes que enfrentaram em 2008 para manter a candidatura Alckmin. Muitos preferem agora apoiar José Aníbal ou Ricardo Tripoli, os outros dois candidatos da prévia tucana.

Azedume. Serra apoiou a indicação de Alckmin a vice-governador de Mário Covas em 1994. Os dois eram próximos desde a Assembleia Constituinte. Mas, para tucanos, a relação começou a azedar quando Covas defendeu o ex-senador Tasso Jereissati como candidato a presidente. Alckmin, enquanto vice, manteve-se neutro. Serra foi o candidato.

Em 2008, a relação azedou de vez com o apoio de Serra, então governador, a Kassab. Esboçou-se uma recuperação um ano depois, quando Alckmin foi chamado para a Secretaria de Desenvolvimento.

No governo, Alckmin assistiu à ameaça do grupo serrista de lançar Aloysio Nunes Ferreira, então na Casa Civil, candidato a governador em 2010. Na secretaria, Alckmin não tinha autonomia para promover inaugurações de escolas técnicas, as vitrines da pasta.

Após a trégua na eleição, a tensão voltou no fim de 2010, na montagem do governo Alckmin. Os serristas reclamavam de não terem sido consultados sobre a equipe. Os alckmistas rebatiam, dizendo que, quando Serra assumiu o governo em 2007, também não os consultou.

Para o ex-governador Alberto Goldman, a ruptura de 2008 foi superada. “Não ficou nenhuma ferida importante.” No PSDB, no entanto, a dúvida é se a trégua será mantida na escolha do vice de Serra. Na Agência Estado

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