PF lista 26 políticos ligados a Cachoeira

Quinta-feira 12, abril 2012

Ao todo, 102 pessoas aparecem nas investigações da Polícia Federal, flagradas em grampos telefônicos ou que fazem parte do núcleo de amizade do bicheiro

Um senador, um primeiro suplente que assumiu o cargo no ano passado, quatro deputados federais, um governador, sete secretários estaduais, quatro prefeitos, seis vereadores e dois ex-vereadores aparecem numa lista de pessoas ligadas ao bicheiro Carlinhos Cachoeira, elaborada por policiais federais para as investigações da Operação Monte Carlo, deflagrada em 29 de fevereiro. O Correio teve acesso à lista, que relaciona 102 pessoas com contatos com o contraventor, entre investigados pela Polícia Federal, denunciados pelo Ministério Público Federal, citados nos grampos telefônicos ou simplesmente do círculo de amizade de Cachoeira, detido no presídio federal de segurança máxima de Mossoró (RN). Dos 102 contatos, 26 são políticos.

A lista traz o nome do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) — investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Conselho de Ética do Senado por colocar o mandato a serviço de Cachoeira — e de duas pessoas bem próximas ao parlamentar, também com ligações com o bicheiro, segundo as investigações da PF. Uma delas é a mulher de Demóstenes, a advogada Flávia Coelho, que aparece nos grampos telefônicos usados para a Operação Monte Carlo.

Flávia é amiga íntima da atual mulher de Cachoeira, Andressa Alves de Mendonça, que foi casada com o primeiro suplente do senador goiano, Wilder Pedro de Morais. Demóstenes, Flávia, Andressa e Wilder estão na lista elaborada pela PF, assim como o capitão da Polícia Militar de Goiás Hrillner Braga Ananias, que trabalha na segurança e assessoria do senador. O salário de Hrillner é pago pelo governo de Goiás. O assessor, que não dá expediente no gabinete de Demóstenes, está fora da folha de pagamento do Senado.

O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), é relacionado como pessoa ligada a Cachoeira. As investigações da PF mostraram que o grupo do bicheiro determinou diversas nomeações no governo local. Perillo já admitiu ter recebido Cachoeira e ter trocado telefonemas com ele. Além do governador, seis auxiliares diretos estão na lista de pessoas ligadas a Cachoeira. Dois já perderam os cargos por aparecerem em conversas telefônicas ou em trocas de mensagens com Cachoeira: a chefe de gabinete, Eliane Pinheiro, que foi avisada com antecedência sobre uma operação da PF; e o presidente do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Edivaldo Cardoso, que aparece nos grampos telefônicos como suposto beneficiário de pagamentos do grupo criminoso. Outro auxiliar citado é o procurador-geral do Estado, Ronald Bicca.

Imóvel
O empresário que comprou uma casa de Perillo no ano passado — o mesmo imóvel em Goiânia onde Cachoeira foi preso, em 29 de fevereiro — foi relacionado pela PF como ligado ao bicheiro. É o proprietário de uma faculdade na capital goiana, Walter Paulo. A lista traz ainda o ex-presidente da Companhia Energética de Goiás (Celg) Ênio Branco, que hoje ocupa o cargo de secretário de Comunicação do governo de Santa Catarina.

Um dos deputados federais relacionados na lista, Leonardo Vilela (PSDB-GO), renovou contrato com uma empresa em nome de integrantes do grupo criminoso de Cachoeira, a Ideal Segurança Ltda. A renovação ocorreu em fevereiro do ano passado, quando Leonardo assumiu o cargo de secretário de Meio Ambiente do governo de Perillo. Diálogos telefônicos mostram a prospecção de contratos para a Ideal na Semarh, em junho do ano passado. O Correio mostrou que Leonardo Vilela, pré-candidato de Perillo a prefeito de Goiânia, pediu a Cachoeira emprego para a filha no Instituto de Ciências Farmacêuticas de Estudos e Pesquisas (ICF), que tem como sócia a ex-mulher do bicheiro, usada como laranja nos empreendimentos, segundo a PF.

Influência

O prefeito de Anápolis (GO), cidade natal de Carlinhos Cachoeira, é apontado como ligado ao bicheiro. Antônio Gomide (PT) nega qualquer tipo de contato ou influência do bicheiro em nomeações na prefeitura, mas faz a ressalva de que “a família dele é extremamente grande na cidade”. O irmão de Gomide, deputado federal Rubens Otoni (PT-GO), aparece em vídeo de 2004 concordando em receber R$ 100 mil de Cachoeira, supostamente para caixa dois de campanha.

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