Pulso forte de Dilma

Sábado 5, maio 2012

Enquanto a oposição, mais uma vez, se restringe a seu papel de reclamar, de se opor, seja qual for o assunto, é preciso elogiar a solução encontrada pela presidente Dilma e sua equipe ao alterar as regras da poupança, já que ao mesmo tempo preserva os atuais poupadores e evita mais uma indexação da economia brasileira. E, principalmente, abre o caminho para a redução das taxas de juros no País. Afinal, a poupança representava um obstáculo para continuidade da queda da taxa Selic. Temos que ter claro que a caderneta de poupança, sinônimo de investimento seguro, jamais poderia atender a uma demanda por mais rentabilidade num país com taxa de juros tão alta.

Sabemos que a mudança na poupança esteve na pauta de governos anteriores E, precisamos reconhecer,  a economia não estava em condições de suportar uma mudança. Mas, numa tacada de mestre, aproveitando o bom momento, Dilma mexeu na poupança, unanimidade nacional, com o argumento de que assim vai poder baixar os juros, vontade de todos os brasileiros.

Especialistas garantem que caderneta ainda é boa aplicação após mudança

Medida Provisória 567, que alterou a fórmula de cálculo do rendimento dos depósitos da caderneta de poupança, estabelece que os saques serão debitados, inicialmente, do saldo dos depósitos efetuados a partir de 4 de maio de 2012. Somente após o esgotamento desses depósitos é que o saque passará a ser feito dos saldos das poupanças antigas. Caso não concorde com este critério, determina a MP, o poupador pode fazer uma manifestação formal ao banco.

As instituições financeiras estão obrigadas a segregar, do saldo dos depósitos de poupança efetuados a partir de ontem, o saldo dos depósitos de poupança anterior àquela data. Os demonstrativos de movimentação da conta de poupança terão de mostrar “de modo claro, preciso e de fácil entendimento”, os saldos separadamente.

O Banco Central, diz a MP, poderá solicitar aos bancos informações sobre o procedimento adotado no cálculo da remuneração das cadernetas de poupança e sobre a evolução dos saldos. Pela nova regra de remuneração, o dinheiro depositado na poupança será corrigido mensalmente pelo equivalente a 70% da taxa básica de juros (Selic) mais a variação da Taxa Referencial (TR) sempre que a Selic estiver em 8,50% ao ano ou em patamar inferior a esse.

Se a taxa estiver acima de 8,5% ao ano o rendimento continuará sendo o atual, de 0,5% ao mês mais a variação da TR. A mudança não afetará as poupanças com depósitos feitos até a quinta-feira.

A mudança nas regras de remuneração das cadernetas de poupança foi feita de forma habilidosa porque coloca fim a um investimento cuja rentabilidade era uma anomalia A avaliação é do economista Luiz Gonzaga Belluzzo. Indagado se as novas regras não trariam prejuízos para o poupador, o economista disse que não, apesar de, do ponto de vista individual, ser difícil perceber os benefícios coletivos: “O que vai acontecer é que eles vão deixar de ganhar o que não deveriam ganhar, que era uma anomalia. O governo tem que olhar isso do ponto de vista coletivo e olhando do ponto de vista do conjunto, manteve a garantia que não vai deteriorar o valor dos estoques de riqueza acumulados, mas ao mesmo tempo vai dar uma remuneração compatível com crescimento da renda, do emprego e da riqueza nacional.”

Por




Deixe seu comentário

*

Retrospectiva Governo Lula

Arquivos

Amigos & Amigos