Bicheiro diz que delta “investiu” em tucano Perillo

Sábado 30, junho 2012

 

Cachoeira demonstra indignação, nos áudios da PF, pelo fato de Perillo ter criticado empresa investigada na CPI

Novos áudios da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal,mostram o contraventor Carlinhos Cachoeira insinuando que o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), teria recebido dinheiro da Delta Construções.

 Em conversa com a namorada, Andressa Mendonça, Cachoeira reclama do tucano. “Sabe o que Marconi fez ontem? Numa reunião com mais de 500 pessoas, ele meteu o pau na Delta.” “Tá louco?”, responde Andressa.

 ”Quem entende aquele vigarista? A Delta deve ter investido mais de 7 pau nele”, diz Cachoeira.

 Em 2010, a Delta consta como doadora de R$ 2,3 milhões apenas a comitês partidários. Desse total,R$ 1,1 milhão foi destinado ao Comitê Nacional do PT e o restante ao PMDB. Não há doação da construtora na prestação de contas de Perillo à Justiça Eleitoral.

 Porém,empresas abastecidas pela Delta via Alberto e Pantoja, uma das pessoas jurídicas usadas como fachada no esquema, contribuíram oficialmente com a campanha do tucano.

A conversa ocorreu em 14 de julho de 2011, depois de Perillo ter dito que as licitações em Goiás não tinham apenas uma empresa vencedora,em referência indireta à Delta. No mesmo dia, Cachoeira afirmou a aliados que romperia com o governador.

“Mandei o Edvaldo entregar o cargo”, comenta, em ligação com Andressa. Cabo eleitoral de Perillo, Edvaldo Cardoso era presidente do Detran de Goiás e ficou no cargo até abril, um mês após a PF deflagrar a Monte Carlo. Ele aparece em diversas conversas com Cachoeira, que se refere a ele como um de seus aliados no governo.

Horas depois, o contraventor quer saber se Edvaldo já conversou com Perillo. “Não me recebeu.

Atrasou e não chegou em Goiânia. Tá marcado amanhã, às 10 horas.”Desconfiados das críticas públicas à Delta, Edvaldo diz que vai conseguir uma cópia do discurso. “Quero ouvir direitinho.” Os áudios sugerem que Perillo procurou se retratar com o Cachoeira. Depois de conversar com o tucano, Edvaldo diz a Cachoeira que ele afirmou tratar-se de um mal entendido e que gostaria de falar com Cachoeira.

“Só você e ele. Na minha casa”, diz o aliado do contraventor.

Cachoeira comenta com Andressa que terá de remarcar uma viagem a Las Vegas porque Perillo quer falar com ele.O governador, segundo o contraventor, teria pedido “arrego”.Em 20 de julho, Eliane Pinheiro, ex-secretária de Perillo, afirma em conversa com Carlinhos que “o povo” dele foi nomeado no Estado e que agora era só tomar posse.

Em depoimento à CPI, Perillo confirmou que esteve em um jantar com Cachoeira na casa de Edvaldo, mas quatro meses antes do suposto encontro de reconciliação. Segundo ele, teriam falado sobre negócios do Laboratório Vitapan, de gastronomia e futebol.

Outra CPI.

Perillo chamou de “ilação absurda” a declaração contida nos áudios da PF de que teria recebido dinheiro da Delta. Ele negou favorecimento por parte da construtora e reiterou a sugestão de que se investiguem, a começar por Goiás, as relações de empreiteiras com governos municipais, estaduais e federal.

“Não existe nenhuma gravação, envolvendo o governador ou o governo de Goiás, que tenha originado algum negócio concreto ou benefício a quem quer que seja. A quem interessa vazar somente trechos, tirados em mais de 30 mil horas de gravações, que de alguma forma citam o governador? Estão querendo desviar o foco e transformar esta CPMI na comissão de investigação da casa do governador Marconi?”, diz a nota do governo.

“Enquanto o governador Marconi está sendo execrado por ter vendido um bem pessoal, adquirido como fruto de seu trabalho e seus rendimentos, outros políticos não conseguem explicar como adquiriram seus bens. É, claramente, uma inversão de valores.”

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