Escuta telefônica da PF liga secretário de Perillo à Delta

Sábado 21, julho 2012

Interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal durante a Operação Monte Carlo indicam que o secretário de Segurança Pública de Goiás, João Furtado Neto, teria recebido propina do esquema comandado pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, para supostamente liberar repasses para a Delta Construções.

Em conversas grampeadas com autorização judicial, Cachoeira e o ex-diretor da Delta Cláudio Abreu demonstram irritação com o fato de Furtado supostamente ter congelado os repasses para a empreiteira.

Segundo o ex-diretor da Delta, o secretário teria ameaçado não renovar ao fim do ano passado o contrato para aluguel de carros caso não fosse honrado um compromisso com ele. Para a PF, o acerto seria o pagamento de propina, que, em vez de ter sido repassado ao secretário, estaria sendo embolsado pelo governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo (PSDB).

O contrato do aluguel de carros é apontado pela polícia como parte do “compromisso” firmado no início do mandato entre Perillo e a Delta, com a intermediação de Cachoeira. O acerto envolveria a liberação de créditos milionários devidos à empreiteira pelo governo goiano mediante suposto pagamento de propina ao governador.

“Aquela suspensão do cara (Furtado) e passar para o número 1 (Perillo, segundo a PF), o do babaca do João Furtado, declarou guerra para nós, viu? Travou todo meu procedimento da nota fiscal ir pro (sic) financeiro para me pagar e metendo os cravos em mim”, reclamou Abreu, em telefonema a Cachoeira em 15 de julho de 2011.

“Travou tudo”. Cachoeira pede que o ex-diretor da Delta explique a situação novamente.

Abreu diz ao contraventor que o secretário teria colocado uma pessoa “no meio do percurso” para cuidar do pagamento das faturas da empreiteira. Ele disse ainda que, com a suspensão do acerto pessoal com Furtado, os repasses foram congelados: “Ele (o secretário) travou nossas coisas lá. Travou tudo”.

“E aí?”, perguntou Cachoeira. “E aí, mandou recado, meu amigo. Se eu não voltar a cumprir com ele, vai ficar tudo travado e ameaçou chegar no final do ano e não renovar o contrato e licitar tudo de novo”, respondeu o exdiretor da Delta.

A resposta de Cachoeira: “Vagabundo, não é? Porque que ele não pagou antes? Vou falar com Edivaldo que ele tá indo lá agora com o governador (sic)” – referência ao ex-diretor do Departamento de Trânsito em Goiás Edivaldo Cardoso, que deixou o cargo em abril após terem sido revela das gravações de conversas dele com o contraventor.

Cerca de sete horas depois, os dois voltam a se falar ao telefone. O ex-diretor da Delta pergunta a Cachoeira como foi a conversa com o “número 1″. Não fica claro com quem o contraventor conversou. No grampo, Cachoeira diz que Perillo quer falar com ele “pessoalmente”. E acrescenta que vão se encontrar na casa de Cardoso. O contraventor acrescenta que vai para a conversa com Perillo comum “arsenal”. O tucano admitiu à CPI que se reuniu com Cachoeira na casa de Cardoso, onde conversaram sobre incentivos fiscais para a empresa de medicamentos.

“Ilação”. Em nota, a assessoria de Furtado negou e repudiou “as ilações”. Segundo o órgão, os pagamentos para a Delta seguiram um “cronograma normal” desde que o secretário assumiu o cargo, em janeiro de 2011.

A assessoria afirmou que a PF não encontrou “nenhuma prova” contra Furtado e que não há uma gravação sequer de conversa dele com qualquer um dos indiciados. Perillo tem negado qualquer envolvimento de seu governo com o esquema de Cachoeira.

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De volta ao 3º andar do MP

O senador cassado Demóstenes Torres reassumiu oficialmente ontem, em Goiânia, o cargo de procurador de Justiça no Ministério Público de Goiás. Ele se trancou no novo gabinete e não quis falar com a imprensa.

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Empresário diz que esquema pagou casa de diretor da empresa

- O empresário Fernando da Cunha Magalhães afirmou à CPI do Cachoeira que o depósito de R$ 120 mil da Alberto e Pantoja na conta da Oliveira e Magalhães Materiais de Construção, da qual é um dos sócios-proprietários, serviu para pagar parte de um imóvel que ele vendeu ao ex-diretor da Delta Cláudio Abreu. Segundo a Polícia Federal e a CPI do Cachoeira, a Alberto e Pantoja é uma empresa de fachada criada para servir ao esquema do contraventor.

Em ofício enviado à CPI, o empresário Magalhães disse ter vendido um imóvel para Abreu por R$ 200 mil. Anexou documentos de cartório que comprovariam a transação, realizada em abril de 2011. O pedido de informações da comissão havia sido endereçado à mãe do empresário, Aparecida Magalhães, e à empresa. O filho disse que a mãe “jamais manteve qualquer relação e negócio” com Cachoeira e com a Alberto e Pantoja. A PF e a CPI descobriram que a Alberto e Panto ja recebeu mais de R$ 26 milhões nos últimos dois anos da Delta.

A suspeita é que os repasses, com ajuda da empresa de fachada, eram para abastecer campanhas políticas. Estadao

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