Nova classe média do governo Lula vai à Bolsa

Domingo 22, julho 2012

Primeiro, foram o frango e o iogurte. Com crédito farto e prazos mais longos, as conquistas incluíram as televisões de plasma e LCD, a máquina de lavar roupas, o carro e as primeiras viagens de avião. Agora, depois de ter acesso a bens e serviços com os quais nem sonhava, a nova classe média começa a realizar investimentos mais arrojados. Muitos desses brasileiros aplicam em renda fixa e papéis do Tesouro Direto, mais conservadores. Mas até mesmo a Bolsa de Valores, reduto das classes mais ricas, começa a atrair a atenção desse público.

Por trás dessa migração, está a ascensão social que fez nada menos que 40 milhões de pessoas inflarem a classe média na última década. O movimento foi acompanhado pelo aumento da procura por mercados como o acionário, que, alavancado pelas operações de home broker , passou por uma ampliação de 800% no número de investidores desde 2003, de 64,5 mil para os atuais 580,9 mil.

Depois de dar uma virada em sua vida profissional, o analista financeiro Ismael Silva Candido, 24 anos, entrou de cabeça no mercado financeiro. Filho de uma cobradora de ônibus, o morador de Samambaia, a 25 quilômetros de Brasília, estudou em escola pública. Na adolescência, o único investimento conhecido pela família era a poupança. E quando sobrava algum dinheiro. Mas, graças a uma bolsa de estudos integral, Candido ingressou na faculdade. Ainda durante a graduação, começou a participar de cursos sobre finanças. Atualmente, 30% de seu salário vão para investimentos como Bolsa, Tesouro Direto e fundos imobiliários. Mesmo sem ter casa própria, o jovem prefere aplicar no mercado financeiro:

- O próximo passo, daqui a três anos, é comprar um imóvel para a família, com o dinheiro aplicado em renda fixa e no Tesouro. Mas, para isso, preciso de mais planejamento.

A servidora pública Paula Ramos, 25 anos, também decidiu arriscar. A ideia surgiu quando ela ainda estava na faculdade e assistiu a uma palestra sobre investimentos. A concretização do projeto, porém, só veio com a estabilidade financeira. Após passar num concurso público, Paula abandonou a poupança e, com um capital inicial de mil reais, começou a comprar papéis na Bolsa. No primeiro ano, perdeu 40% do valor aplicado. Mas, com o tempo, ela conta que aprendeu a ter estratégia e disciplina:

- Agora, quero investir no Tesouro Direto e no mercado imobiliário.

Felipe Chad, sócio diretor da DX Investimentos, relata que a carteira de clientes tem se diversificado graças aos cursos que promove para ensinar leigos. As aulas atraem o interesse de donas de casa e professores do ensino básico, além de muitos recém-formados que acabaram de entrar no mercado de trabalho. Na corretora, do total de três mil clientes, 50% fazem parte desse grupo que mudou de padrão de renda nos últimos anos.

- Essas pessoas chegam aqui e veem que poupança não é a opção mais rentável nem necessariamente a mais segura – afirma Chad.

Na DF Investor, empresa de São José dos Campos com foco em educação financeira, 40% dos mil clientes já são da nova classe média.

- Até 2015, o índice deve chegar a 50% – estima o sócio Douglas Ribeiro.

O Tesouro Nacional, que baixou para R$ 30 a aplicação mínima, aposta na popularização: o governo estuda a possibilidade, no segundo semestre, de os investidores fazerem compras programadas por meio do site do Tesouro.

- Hoje, eles fazem isso por meio dos bancos e das corretoras. Será mais uma facilidade. Temos 300,8 mil pessoas cadastradas e enxergamos muito mais gente disposta a investir – afirma André Proite, gerente de relacionamento institucional do Tesouro.

Na avaliação de Felipe Chad, a nova classe média ainda é conservadora, mas já percebeu que é possível poupar, por exemplo, cem reais por mês para ter uma aposentadoria mais tranquila. Natural de Nova Xavantina, interior de Mato Grosso, a gerente de contas Carla Fiacadore, 22 anos, vislumbrou essa oportunidade e, há nove meses, começou a fazer aportes em previdência privada. Ela se mudou para Brasília há cinco anos para estudar. Depois de conseguir uma bolsa de estudos para a faculdade, foi contratada por uma multinacional. Mas só viu que precisava começar a poupar no ano passado, quando bateu com o carro e não tinha reservas para comprar outro.

- Agora, destino 30% do meu salário para a previdência. É um planejamento para a aposentadoria – diz.

Para o economista Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais da FGV, os agentes financeiros demoraram para enxergar o potencial da nova classe média. Mas observa que este é apenas o início de uma grande jornada.

- Esse público representa 55% da população, mas requer uma abordagem customizada. No Globo

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