TIM derruba ligações para fazer o cliente gastar mais

Quarta-feira 8, agosto 2012

Relatório da Anatel aponta indícios de que a operadora derruba ligações para fazer o cliente gastar mais

O presidente da empresa, Mario Girasole (E), com o senador Eduardo Braga: problema de sobrecarga

Poucos depois de retomar a venda de seus planos, que ficaram suspensos em 18 estados e no Distrito Federal por 12 dias, em razão de falhas na qualidade, a TIM foi alvo ontem de outra denúncia grave em relação aos seus serviços. Relatório da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), elaborado há três meses, aponta indícios de que a operadora de telefonia móvel derruba intencionalmente o sinal de seus clientes, sobretudo os do plano Infinity, em que a cobrança é feita por ligação, e não pelo tempo da chamada. Seria uma manobra da operadora para obrigar o usuário a ligar (e pagar) novamente.As ações da empresa caíram 4% ontem na Bovespa.

“Nossa fiscalização em nível nacional detectou esses indícios (de interrupção proposital das chamadas), mas a empresa precisa ainda se defender no processo. As ocorrências estavam acima das metas estabelecidas pelo país e podem ter várias razões”, explicou Bruno Ramos, superintendente de Serviços Privados da Anatel.

Durante audiência pública na Câmara dos Deputados, o presidente da agência, João Rezende, disse que, nos próximos meses, os técnicos irão “passar um pente- fino” nos serviços prestados pelas concessionárias. Elas se comprometeram a investir R$ 20 bilhões até 2014 na superação de gargalos e redução de queixas dos consumidores. “Não descartamos bloquear novamente as vendas de planos, caso as propostas não evoluam como prometido”, acrescentou.

O vice-presidente da TIM Brasil, Mario Girasole, negou “veementemente” as acusações de suspensão deliberada de ligações, admitindo apenas interrupções geradas pela sobrecarga da infraestrutura. Ele fez duras críticas ao trabalho da Anatel, apontando “falhas técnicas graves” na fiscalização. Segundo ele, os próprios funcionários do órgão regulador reconheceram erros e indicaram a necessidade de reformular o relatório, elaborado a partir de São Paulo. “É estranho como esse texto foi parar nas mãos do Ministério Público no Paraná. Não me parece algo isento”, alfinetou o executivo.

Crime
Girasole se reuniu à tarde com o líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM) para apresentar um projeto de conexão telefônica por fibras ópticas na região amazônica, mas acabou tendo de tratar da  crise. “Se comprovada a prática de interrupção propositada de sinal, a empresa (TIM) terá cometido um crime contra o consumidor, podendo sofrer as sanções previstas em lei, incluindo a cassação de sua outorga”, afirmou o senador.

Para Braga, a piora das transmissões celulares no país só será resolvida com a aprovação de leis que obriguem as operadoras a compartilhar antenas e até mesmo sinais. “Não é mais possível apresentarmos um índice 10 vezes maior de antenas por usuário em relação ao número encontrado nos mercados desenvolvidos”, ilustrou.

Ele espera que o Ministério das Comunicações encaminhe ainda este mês ao Congresso projeto regulamentando o tema, batizado de “lei das antenas”. Ontem, o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) se antecipou e apresentou seu próprio projeto de normas gerais de política urbana associadas à instalação de redes de telecomunicações.

Banda larga
O presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), João Rezende, informou ontem que o órgão passará a se dedicar com mais ênfase à qualidade dos serviços de banda larga, depois de ter intervindo nas operadoras de telefonia móvel. Para isso, promete colocar em operação 12,5 mil equipamentos eletrônicos de medição, para analisar tráfego da internet fixa e móvel. “Não vamos deixar o usuário na mão”, prometeu.

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