Cedraz admite falar com Pessoa sobre Angra

Sábado 18, julho 2015

 

O escritório de Tiago Cedraz admitiu ontem que foi procurado por Ricardo Pessoa para atuar em processo do Tribunal de Contas da União (TCU) que discutiu a licitação para obras na usina de Angra 3, de interesse da empreiteira. Em nota, informou ter sido consultado pelo empresário, mas que “a contratação não foi efetivada”.

O escritório alegou que “a simples consulta, mesmo com a contratação não sendo efetivada, já foi suficiente para Tiago solicitar o impedimento do pai”. Na época, o ministro Aroldo Cedraz pediu vista do processo numa sessão, justificando que esteve “ausente” nas semanas anteriores. Duas semanas depois, em vez de votar, se declarou impedido, argumentando que não pôde “se debruçar” sobre o caso. O escritório sustenta que o ministro não lhe forneceu na ocasião informações privilegiadas.

O Globo revelou na edição de ontem que Aroldo Cedraz, em 14 de novembro de 2012, pediu vista dos autos que tratavam de uma licitação para obras da usina nuclear Angra 3, em Angra dos Reis (RJ). A UTC era uma das partes interessadas. O ministro ficou duas semanas com o processo, que retornou ao plenário em 28 de novembro. A votação acabou favorável à construtora.

O dono da empresa, Ricardo Pessoa, investigado na Operação Lava-Jato, disse em delação premiada que repassou R$ 1 milhão a Tiago para influenciar esse processo. Na terça-feira, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão do Supremo Tribunal Federal (STF) na casa e no escritório de advocacia de Tiago em Brasília. Ele virou investigado depois da delação de Pessoa.

O TCU anulou a suspensão da licitação de um contrato de R$ 2 bilhões em Angra 3, que acabou vencido por consórcio liderado pela UTC com Odebrecht, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez. Aroldo Cedraz só se declarou impedido no dia da votação, duas semanas depois de ter atuado pedindo vista da ação. “O ministro não atuou. Ele se declarou impedido antes de emitir qualquer pronunciamento sobre o caso. E, em regra geral, nunca houve qualquer troca de informações sobre processos entre ambos”, disse Tiago, por meio de sua assessoria de imprensa.

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