A crise já bateu também a porta da China

Quarta-feira 9, setembro 2015

 

Crescimento contínuo por exportações baratas deve ser revisado

Hong Kong – Há várias semanas o Fundo Monetário Internacional (FMI) havia anunciado que a economia da China evoluía digna de elogios. Vivia a transição “em uma nova situação fisiológica” – anotou em sua regular avaliação econômica, – “rumo a um mais lento, mas, muito mais seguro e muito mais viável crescimento”. Sustentou, ainda, que, o risco básico são “as pressões do governo da China por mais reformas econômicas que poderão revelar-se ineficazes”. Provavelmente, esta sustentação poderá revelar-se verdadeira. Risco existe sempre.

Os mercados de capitais entraram em pânico com a decisão do governo chinês de repentinamente desvalorizar, sua moeda em 11 do mês passado. Ao que tudo indica, os investidores interpretaram isso como sinal de preocupação ou, ainda, que as autoridades chinesas estão desesperadas. Diana Choyleva, diretora de Pesquisas Macroeconômicas da empresa de consultoria Lombard Street Research, diagnosticou que, “o cambalear de uma economia precisa de uma moeda mais fraca”. E sem ter certeza culminou: “Será que estamos assistindo o inicio de um regime monetário mais flexivel ou, então, uma desvalorização típica do passado?”. Quem Sabe?

O que acontecerá se a economia da China desacelerar-se mais rápido do habitual. Os países em desenvolvimento – que já sofrem pela queda de demanda chinesa por matérias-primas – podem sentir isto em grau superior e, se a China recorrer em novas desvalorizações para apoiar as exportações, minará o crescimento mundial. “Geralmente os países autoritários crescem mais rápido do que os países democráticos, até mais ou menos o ponto em que encontra-se agora a China” – profetiza David Dollar, ex-funcionário da China no Banco Mundial (Bird) e, prossegue: “Mas, casos bem-sucedidos resultam em ‘desdemocratização’, mais ou menos no período atual da renda per capita”. É possível.

Eis como soam as análises dos profetas da imprensa ocidental: “Um regime totalitário pode ser eficaz no crescimento do capital e do trabalho. Contudo fracassa na evolução de inovação e de criatividade, duas flores que florescem com liberdade de pensamento e de palavra. A situação na qual “a economia cresce e não são realizadas manifestações”.

As corcundas do camelo

“A China deve basear-se sobre a inovação e proporcionar mais e melhores serviços aos migrantes internos”, ensina Kenneth Lieberthal “especialista em China” no Instituto Brookings e, acrescenta que, “a China tem, também, ‘restrições ambientais’ e, um perfil que muda dramaticamente, com um aumento de percentual dos ‘indivíduos dependentes’ e, contração do percentual dos ‘trabalhadores com emprego’. Um provérbio diz que, “o camelo não olha sua corcunda, mas, olha a corcunda dos outros camelos”.

A sucessão na China dos programas quinquenais tem reservado ao governo de Beijing uma meta apenas: O crescimento econômico. Isto resulta em uma luta de endividamento para os chineses construirem tudo, de ruas e estradas, até parques industriais. Os gastos de consumo das famílias equivalem, somente, com 35% do Produto Interno Bruto (PIB) – um dos menores do mundo. Será?

Já os investimentos – cerca de 50% do PIB – são, excepcionalmente, elevados. Taxas de juros quase zeradas em contas de depósitos proporcionam empréstimos baratos, mas, punem os que não poupem. Tudo isso significa que a transição chinesa será muito mais complicada. É possível.

Também, os veículos de comunicação do Ocidente e alguns analistas constatam que, “na China existe, também, déficit de democracia. As reformas que hoje necessita a China exigem o fortalecimento de seus cidadãos. Por isso, apesar das repetidas promessas não foi feito muito”. E conforme “anota o FMI, na maioria das regiões observou-se apenas desaceleração do ritmo de aumento dos pontos vulneráveis do sistema”. Será?

Talvez por isso mesmo é que os mercados de capitais são atemorizados. “Sequer os próprios chineses sabem aonde estarão sua economia e sociedade daqui a 10 anos”, sentencia o Lieberthal. Pois é, “o camelo nunca olha para sua corcunda. Sempre olha para as corcundas dos outros camelos”.

Lee Wong

Sucursal do Sudeste Asiático.

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