Clã Calheiros se reveza no comando de sua terra natal

Domingo 18, setembro 2016

Um certo Cônego Calheiros, segundo registros históricos oficiais, integrava a junta governativa de Murici bem antes que ela se tornasse cidade, em 1892. Mas foi somente no século XX, em 1992, que a família Calheiros passou a ser vista como parte da elite econômica e política local. Naquele ano, o já ilustre deputado Renan Calheiros, num intervalo sem mandato, voltaria à terra natal para comandar a campanha vitoriosa do pai, Olavo Calheiros Novais, à prefeitura. Nas últimas duas décadas, o clã Calheiros, num curioso revezamento tio-sobrinho, domina o município, distante apenas 50 quilômetros de Maceió.

Este ano, quem está cotado para substituir Remi Calheiros (PMDB), irmão do presidente do Senado, é seu sobrinho, Olavo Neto, filho do deputado estadual Olavo Calheiros. Aos 29 anos, Olavinho, que já é vice-prefeito de Murici, declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 1,9 milhão, originário da empresa e agropecuária Santo Aleixo, localizada na zona rural de Murici, onde os Calheiros são hoje fazendeiros.
Antes de Olavinho, quem se revezou com o tio Remi, que conclui seu terceiro mandato (1996, 2000 e 2012), foi Renanzinho, filho de Renan, prefeito em 2004 e 2008, e hoje atual governador de Alagoas.

O prestígio político de seus filhos tem servido para colocar a pequena Murici no mapa — infelizmente não por boas razões. Incluída nas comemorações à Olimpíada, destacou-se por ter o menor Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) dentre as 327 cidades escolhidas para receberem a tocha. Seu índice, 0,527, deixa-a na lanterna dos municípios brasileiros. O mau resultado deve-se principalmente à Educação: segundo o IBGE, o analfabetismo atinge 40% da população adulta.

No Mapa da Desigualdade de 2003, a incidência de pobreza chegava a 65% — somente dez dos 102 municípios alagoanos ostentavam índices piores. A cidade, que enfrenta a decadência da cana-de-açúcar, tem população estimada em 28 mil habitantes. Em 2015, 5.053 famílias dependiam do Bolsa Família, que consumiu R$ 9,3 milhões.

Também no ano passado, Murici foi sorteada para sofrer auditoria federal nos cerca de R$ 40 milhões enviados para Educação e Saúde. A então CGU, hoje Ministério da Transparência, apontou problemas, como transferência para beneficiários não identificados e para outras contas da prefeitura, na aplicação de cerca de R$ 21 milhões da Educação. Também foram verificadas, em menor escala, irregularidades no uso de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS).

Por




Deixe seu comentário

Você deve ser logado postar um comentário.

Retrospectiva Governo Lula

Arquivos

Amigos & Amigos