Quando entrar para a política é bom investimento

Segunda-feira 8, janeiro 2018

Os Bolsonaros enriqueceram enquanto faziam política, como mostrou esta Folha. O caso específico pode ter uma justificativa plausível, e o que se espera em especial do presidenciável da família é que esclareça cabalmente os motivos da multiplicação patrimonial. Já quando o conjunto dos representantes eleitos num mesmo território enriquece de modo desproporcional, não deveria haver dúvida quanto ao diagnóstico. Estamos falando, nesse tópico, de corrupção. Um estudo recente a quantificar o bônus financeiro de entrar para a política numa nação emergente, do economista Ray Fisman (Universidade de Boston) e colegas, enfoca a Índia deste início de século. Nas assembleias estaduais da gigantesca federação indiana, a evolução anual do patrimônio declarado de um deputado correu de 3% a 5% mais depressa que a do adversário derrotado na eleição distrital, em condições similares de largada. Significa acúmulo adicional de riqueza de 30% a 60%, na média, em dez... Leia mais

Investigações mostram gritante desequilíbrio

Sábado 23, dezembro 2017

Na segunda-feira, 17 de março de 2014, uma então desconhecida Operação Lava Jato prendia o doleiro Alberto Youssef. O assunto implicava muito dinheiro. Ao concluir o dia, a equipe de Curitiba tinha 80 mil páginas de documentos para analisar. Nos desdobramentos do caso surgiu o petrolão, envolvendo o PT. Na quarta-feira, 19 de março de 2014, os leitores da Folha encontravam na Primeira Página o seguinte título: “Alstom pagou suborno de R$ 32 milhões, diz ex-executivo”. A notícia dava conta da colaboração de um dirigente do grupo francês com o Ministério Público de São Paulo. “O suborno, destinado a servidores e políticos do PSDB, equivale a 12,1% do valor do contrato de R$ 263 milhões”, escreviam os repórteres Mario Cesar Carvalho e Flávio Ferreira. Como se vê, bastante dinheiro também. De lá para cá, uma das investigações se tornou a mais importante do mundo, segundo indicou a Transparência Internacional. Ao completar três... Leia mais

Ideias esdrúxulas do Temer

Sábado 23, dezembro 2017

 Michel Temer tem uma queda pelas ideias esdrúxulas. Em 2009, escreveu nesta Folha um artigo sobre reforma política. Entre outras teses, defendeu o voto majoritário para a eleição de deputado. Informalmente conhecido como distritão, o sistema tem a vantagem de promover resultados claríssimos: os nomes mais votados serão eleitos. A lista de desvantagens, em contrapartida, é mais extensa. Inclui encarecimento das campanhas, enfraquecimento dos partidos, fortalecimento do clientelismo e aumento da corrupção. Não surpreende que o modelo seja escolhido por pouquíssimos países, entre os quais estão o Afeganistão e Vanuatu, uma ilha no pacífico com 270 mil habitantes. Daí não decorre, naturalmente, que todas as ideias de Temer sejam esdrúxulas; ainda assim, convém desconfiar quando o presidente ataca de garoto-propaganda de um novo sistema de governo para o Brasil. Num café da manhã com jornalistas, ele disse: “Exerci nesse período uma espécie de... Leia mais

STF torna senador Agripino Maia réu por desvios em arena da Copa em Natal

Terça-feira 12, dezembro 2017

Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu hoje (12), por 4 votos a 1, aceitar denúncia apresentada contra o presidente do partido Democratas, o senador José Agripino Maia (RN), tornando-o réu em ação penal. Em setembro deste ano, Agripino Maia foi denunciado pelo então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, pela suposta participação em um esquema envolvendo a construção da Arena das Dunas, sede da Copa do Mundo de 2014 em Natal, que teria resultado em prejuízo de R$ 77 milhões aos cofres públicos. Segundo a denúncia, o senador teria usado sua influência política para liberar créditos que se encontravam travados no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em favor da construtora OAS, responsável pela obra. De acordo com a acusação, Agripino Maia teria recebido R$ 654 mil em espécie, a título de propina, para providenciar o sinal verde do Tribunal de Contas do Rio Grande do... Leia mais

Corintiano fanático, diretor da PF Segovia tem elos com Sarney, Gilmar e CBF

Segunda-feira 27, novembro 2017

Tendo assumido o cargo com a pecha de estar incumbido de blindar políticos e frear investigações, o novo diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia, tem gastado parte dos seus primeiros dias explicando as relações com os que o indicaram. A escolha de Segovia foi vinculada a uma articulação dos ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, do ex-presidente José Sarney e do ministro do TCU Augusto Nardes, chancelada pelo presidente Michel Temer. Seu período como superintendente da PF no Maranhão, entre 2008 e 2010, faz parte do rol de ligações perigosas que jogaram suspeita na nomeação. Em São Luís, Segovia morou em uma casa alugada de uma família de empresários da construção civil ligada aos maiores caciques do Estado, Sarney e Edison Lobão. Ficou amigo do dono do imóvel, Inácio Regadas, e próximo do irmão, o patriarca da empresa, Marcos Regadas, dono da Franere Construções, que doou dinheiro a campanhas do PMDB. Segovia diz que a escolha da casa se deu... Leia mais

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